Sem saída
A união pela conformidade não é intensa e violenta; é calma, ditada pela rotina e, por essa mesma razão, é muitas vezes insuficiente para apaziguar a angústia da separação. A incidência do alcoolismo, do vício em drogas, do sexualismo forçado e do suicídio na sociedade ocidental contemporânea é sintoma dessa falência relativa da conformidade do rebanho.
Erich Fromm em A Arte de Amar – Ed.Itatiaia
Nossas atitudes, muitas vezes, inexplicáveis para nós mesmos, estão voltadas a evitar a solidão. Trabalhamos com todas as nossas forças para manter nossa tendência gregária ante a possibilidade da desagradável dor da separação. Separados, somos assolados pela dúvida e a irmã gêmea dela, a incerteza e somos levados aos confins da marginalização, do preterimento e todas as sensações habituais que nos assolam no âmbito da solitude.
As religiões, essas grandíssimas fanfarronas, costumam tentar nos convencer a partir para o enfrentamento dessa angústia, na verdade uma cruz inerente ao ser humano. Padres e até alguns pastores mais devotos, coisa rara hoje em dia, preconizam o inverso do que buscamos, incansavelmente, ou seja, agruparmo-nos e buscam nos convencer a acampar no deserto, onde, segundo eles, Deus virá nos consolar. Não importa o preço a pagar. Para estar entre o rebanho, estaremos dispostos a tudo. Se for preciso dar nosso tempo, daremos; se quiserem um décimo do nosso dinheiro ganho com o suor de nossos rostos e sovacos, não hesitaremos em doar; trabalharemos de porteiros, garçons, babas e até estaremos à disposição para entoar hinos e modinhas bregas, vestidos feito palhaços. Os pastores têm consciência do nosso horror em deixar o rebanho, além da angústia da separação, a culpa estará à nossa espera do lado de fora da igreja, devidamente insuflada por dogmas respaldados em textos pseudo-bíblicos.
Mas estar agrupados não nos livra dessa maldita angústia e suas conseqüências. Ao contrário, é uma cilada perigosa, pois, na maior parte das vezes, nos atira no precipício do conformismo amparado em rotinas. Quando nos propomos a buscar a alternativa a essa tormenta existencial, os próprios gregários marasmáticos saem em defesa da manutenção de suas dores, para ficarem bem onde estão. O sonhador Fromm alega utopicamente que a resposta bizarra da realização da unidade interpessoal, da fusão com outra pessoa, está no amor. Nem trabalho, nem fé e muito menos qualquer tipo de organização política, totalitária ou democrática, mas o amor, esse ser enigmático sobre o qual acreditamos que só um ser dentre os pisadores da terra o conheceu, ou seja Jesus de Nazaré. Se bem que, apesar do Dan Brown não acreditar, ele nunca se uniu a outra pessoa em amor, pelo menos não de forma plena, em espírito e carne.
Como diria um caipira matuto, meu pai: Estamos bem arranjados.
Muito bom.
Alysson Amorim
maio 13, 2009 em 9:29 pm
Sem saída…o que fazer então????
O agregamento, (estar com pessoas, tocar em pessoas) foi deixado a nós como exemplo por Jesus de Nazaré, mas a atitude gregária do cristianismo está falida. A angústia pela solitude, trás a nós mais angústia através do preconceito, da separação e da marginalização. Pra mim, as ligações interpessoais,hoje,acontecem fora do ambiente da religião,como disse Rubem Alves, “numa grande liturgia cósmica”,onde o aprendizado ao amor pelo outro, tem que ser uma incessante busca pela prática em nosso viver…
Jacira Mavignier
maio 14, 2009 em 12:59 am
Faço coro a Jacira.
O que fazer?
Se o agrupamento está infectado pelo vírus da angústia.
E se andarmos sozinhos a culpa nos encherá.
Só o amor de Jesus então poderia nos salvar, de nós mesmos, inclusive.
Wander
maio 14, 2009 em 10:29 am
“Graças a Deus os picaretas estão inclusos” , senão o que seria de todos nós ????
Jesus liquidou a fatura.Estamos
imersos graciosamente na Graça…nada que fizessemos poderia nos salvar , e assim ,mesmo sendo a morte de Jesus uma forma unilateral de resolver o problema , agora há esperança.Jesus nos deixou o legado do Amor: “amai ao próximo como a ti mesmo”, “amai-vos uns aos outros”.
Sendo pecadores perdoados , somos ainda pecadores , mesmo não sendo como deveríamos ser… existe em nós uma necessidade premente de vivermos agregados , de estabelecermos relações interpessoais…infelizmente a sociedade pós moderna está assentada sobre a ausência desse sentimento.Creio que , como “cristãos”, devamos nos lançar numa ferrenha , revolucionária e incessante luta pelo aprendizado dele…
Jacira Mavignier
maio 14, 2009 em 10:38 pm
Lou, casa nova!!!
Já tinha linkado desde a semana passada…
Mas olha, eu acho que o maior problema que vejo é a idade que avanca, meu amigo.
Nos sentimos deixados de lado, os filhos crescem, cada um cuida da sua própria vida e a gente fica se sentindo um peixe fora do aquário mesmo estando em casa. Como resolver essa questao?
Ou se fica avô para brincar com os netos ou fica pai novamente, como fez Abraao e Sara, ahahahhahah aos 99 anos senso pais, rs. (brincardeira)
Eu como fui mae tarde, nao estou sofrendo de solidao, tô querndo é um tempo prá mim, rs.
Boa semana e um ótimo texto
georgia aegerter
maio 20, 2009 em 2:59 am